Como se mede a inflação?

medir inflação

 

Recentemente foi noticiado que a inflação de setembro/2016 foi de praticamente zero. Foi registrado um aumento de 0,08% pelo IPCA. Mas, sentimos em nosso bolso essa mudança? Quem mede a inflação? Como se mede a inflação? O que é mesmo IPCA?

Vamos por partes. Quando se noticia sobre a inflação geralmente fala-se em termos de índice. ‘O índice de inflação recuou 0.28% em outubro…”

 

E o que é um índice de inflação?

Um índice é uma medida resumo de um fenômeno. Os de inflação geralmente representam variações médias dos preços de determinado grupo de produtos e serviços.

No Brasil temos vários índices de inflação. As principais diferenças entre eles estão naquilo que medem, nos períodos que abarcam e no peso que dão a cada item.

O IPCA (Índice de preços ao consumidor amplo) é o índice oficial de inflação do país e representa a base para diversas análises e para correção de contratos.

Então vamos entender melhor. O IPCA mede o quanto os preços de cerca de 400 produtos e tipos de serviço variaram em um mês, em algumas regiões metropolitanas do país. Esse  grupo selecionado (chamado de cesta de consumo) procura mostrar a variação dos preços dos produtos e serviços que poderiam representar o consumo de famílias que recebem de 1  a 40 salários mínimos. Outro índice é o INPC (índice de preços ao consumidor). Este verifica a variação dos preços de produtos típicos de famílias que recebem de 1 a 5 salários mínimos.

 

E quem pesquisa esses preços todos os meses?

 

Quem faz essas pesquisas é o IBGE, indo diretamente nos estabelecimentos e coletando esses dados.

 

E como se chega nessa ‘cesta de consumo’ que o IBGE usa para definir o que seriam os gastos de um consumidor típico de cada região?

 

Ele usa os dados de outra pesquisa que faz, a chamada POF (Pesquisa de orçamentos familiares). Nessa pesquisa existem informações sobre como é o comportamento dos consumidores. Quais são os principais produtos consumidos. Então se calcula a inflação com base nessa cesta de bens, que representa a média do comportamento de consumo daquela região.

E também o quanto de suas rendas vai para cada área. Por exemplo, por esta pesquisa é possível saber que em Belo Horizonte, em média, o consumidor gasta 30% de sua renda em alimentação e bebidas.

Então, olha que bacana, quando se vai se calcular a variação média dos preços dessa cesta de consumo, essa porcentagem entra no cálculo. Essa média tem então uma determinada ponderação, com base nessa porcentagem que cada grupo de itens tem nos gastos de nossa renda mensal.

 

Como faz esse cálculo então?

 

De posse das porcentagens que cada grupo tem dentro da cesta de consumo é feita uma espécie de média ponderada. Esses grupos no IPCA são divididos em ‘alimentação e bebidas’, ‘habitação’, ‘artigos de residência’, vestuário’, ‘transportes’, ‘saúde e cuidados pessoais’, ‘despesas pessoais’, ‘educação’ e ‘comunicação’.

 Na prática, por exemplo, se o preço do leite aumentar vai ter um impacto no índice nacional de inflação maior que o de um aumento nos gastos com educação.  Isso, por que o leite está no grupo ‘alimentação e bebidas’ que no cálculo do IPCA tem um peso de 25,52%, enquanto os gastos com educação tem um peso de apenas 3,82%. (Em média o brasileiro gasta 25,52% de sua renda com alimentação e bebidas e 3,82% com educação nos valores de março de 2016).

Em geral, os índices de inflação se utilizam das metodologias de cálculo chamadas Laspeyres e a de Paasche. Essas são fórmulas matemáticas que permitem agrupar essas questões para se chegar num índice resumo. Esse índice de inflação é então um pouco mais que só a variação média dos preços (caso queira entender melhor os cálculos pode clicar aqui).

 

Quais são os principais índices de inflação?

Existem ainda outros órgãos, como a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) que fazem pesquisas semelhantes e buscam ainda analisar outros fatores mais específicos, como a inflação dos aluguéis e dos preços de atacado. Mesmo o IBGE possui ainda outros índices de inflação. Os vários índices de inflação que temos é fruto de nosso passado recente de hiperinflação.

 

índices de inflação

Como posso corrigir um valor pela inflação então?

Um local bem interessante para você fazer a correção de um valor pela inflação é através da calculadora do cidadão no site do Banco Central do Brasil. Clicando aqui, é só escolher o índice de inflação que deseja utilizar e colocar o valor a ser corrigido. Simples assim.


Finalizando…

Então, se no seu bolso parece que a inflação real foi bem maior que a oficial, saiba que isso não é um problema do índice que foi divulgado. Todos os índices são assim: uma representação o mais próxima possível da realidade.

Um índice de inflação que você vê não necessariamente reflete a SUA inflação. Ou o quanto o aumento dos preços pesou, de fato, no seu bolso.

Esses produtos pesquisados podem não ser os ‘seus’ produtos. E provavelmente não são.

Eles apenas representam a variação de preços de um determinado conjunto de bens e serviços, em um determinado período, se utilizando de uma determinada metodologia. Mas, que se aproximam da realidade que enfrentamos, na média.

A realidade da inflação é então assim refletida na média. No comportamento médio dos preços pagos indivíduos e empresas. Ainda que uma média ponderada.

Então não se preocupe. Não, [pelo menos] isso não é coisa de ‘governo golpista’! O IBGE é uma das instituições mais sérias desse país.  Se alguém deve ser ‘culpado’ é a matemática e a estatística mesmo…(risos).

 

 

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