Conversa com uma economista

Entender economia

E tinha uma economista, aquela que era bem empolgada, não lembro o nome dela…

Em uma conversa, um dia ela começou a divagar sobre economia.

Ela dizia que em economia estava tudo interligado…

Até com um tom de voz meio embargado, apontava para o corpo dizendo que a economia era um todo orgânico.

Que a economia é feita de pessoas, que os comportamentos das pessoas são influenciados e influenciavam os rumos da economia. Ainda que algumas tivessem maior poder de influência.

E até tentava explicar a economia. Mas eu não entendia completamente. Ela dizia que a economia, enfim, era um corpo de estudos do comportamento humano. Das ações humanas principalmente no tocante às relações de mercado.

Mas, que era feita de ‘agentes’ pouco racionais, como eu e você, que somos guiados por informações imperfeitas da realidade.

E aí começa a ficar mais complexo…

Falou também sobre um comportamento chamado ‘efeito manada’. Esse poderia levar várias pessoas às mesmas atitudes, mesmo sem saber o porquê daquilo.

Essa eu acabei entendendo, porque ela deu o exemplo da quebra da bolsa de Nova York em 1929, onde todos começaram a apostar na queda, e, com as quantias retiradas em grande quantidade, ela finalmente quebrou.

Assim, em economia, poderia haver uma profecia auto realizada, quando de uma quebra de confiança.

Então, finalmente a economia era um todo orgânico, onde a confiança era o fio que interligava os agentes.

Se você não confiasse que ao receber R$100 poderia trocar esse dinheiro por outra mercadoria qualquer no futuro, então como haveriam trocas?’ Dizia ela um pouco exaltada.

Se não houvesse esse pacto na sociedade tudo poderia desmoronar.

Mas, as pessoas olhavam apenas para os números frios: taxas de câmbio, índices da bolsa, taxas de juros, indicadores das empresas e dos governos, etc.

Tudo tão frágil. Um castelo de cartas.’

E nós, trabalhando para sobreviver, para suportar um sistema que nos explora…’

Pensei que ela devia ser meio marxista. Então deixei essa parte de lado.

Mas ela continuava, e até que começou a fazer sentido.

Os noticiários dizem que o governo aumentou a taxa de juros do país para conter a inflação. E como a maioria das pessoas não entende bem essa relação, acata. Mas sem saber que isso também contribui para o aumento do desemprego, privilegia investidores, os mais afortunados. E ainda afeta pouco no controle da inflação, pois esse aumento de preço pouco tem a ver com um aumento de demanda.’ Ela continuava.

E assim nós teríamos que trabalhar mais para pagar a conta. Pois, juros maiores iriam contribuir para o aumento da dívida pública. E a dívida, enfim, era pública.

E no fim tudo influenciava tudo. E nossas crenças e valores seriam os guias do rumo de nossa economia. Mas ela questionava sobre quem nos impunha esses valores e crenças.

Acabei entendendo algumas coisas, outras nem tanto. Mas comecei até a consentir silenciosamente com algumas.

E, confesso, fiquei com vontade de ficar  por perto para continuar ouvindo mais um pouco daquilo que começava a fazer sentido.

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2 comentários em “Conversa com uma economista

  1. Ester, vivemos a escravidão, a servidão e a venda da mercadoria força de trabalho, hoje não podemos atribuir ao disponibilizador da força de trabalho única e exclusivamente como oferta e demanda o capital intelectual, que faz parte do valor agregado de qualquer empresa, não pode admitir um modelo que se faça apenas na relação trabalho/salário, o detentor da força de trabalho, principalmente no setor público deve ter em mente que o ganho da humanidade é maior quando a produtividade ultrapassa os conceitos da eficiência e da eficácia, o novo homem economicus deve um homem novo, que não só contribua para o seu crescimento e da sua instituição mas que também entenda que o homem economicus, transformado num homem tributos, aufere mais renda, gera mais retorno ao Estado, pela qualidade na oferta do serviço é propícia ganhos de arrecadação porque passo o parceiro e o responsável por si e pelo Estado, por ele próprio é pelo cidadão que contributo, produz, recolhe impostos, acredita num Estado e por consequências investe neste mesmo Estado como resposta à crença de que um Estado economicamente responsável produz e retribui em produtos e serviços que geram bem-estar e segurança institucional.

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