Investimento em Educação e Pesquisa é um ótimo negócio

Investir em educação e pesquisa  nos permite participar dos fluxos tecnológicos internacionais e gera crescimento econômico

Investimento em tecnlogia

Todos os países, desde os tempos mais remotos, se utilizam de tecnologias estrangeiras para se tornarem mais competitivos. As novas tecnologias não surgem de uma base vazia. Muitas pessoas atuando juntas são capazes de gerar mais inovações.

O Egito, a Grécia, Roma, China foram civilizações que séculos atrás já possuía conhecimentos é tecnologias muito avançadas que foram sendo apropriadas por muitas civilizações e servindo de base para o conhecimento ocidental.

No entanto, ter acesso a estes conhecimentos nunca foi fácil. Sabe-se que desde os egípcios novos conhecimentos eram protegidos, por exemplo, por códigos, que apenas poucos podiam conhecer. Avançando bastante no tempo, na Inglaterra à época da Revolução industrial, havia revista de passageiros que migravam temendo que estes estivessem levando protótipos de maquinas a vapor para outras nações.

Mesmo assim, nada pode reprimir o conhecimento de viajar por entre as fronteiras e levar desenvolvimento às nações que podiam os acessar. Nada, com exceção de um detalhe essencial: O CONHECIMENTO. Se em determinada nação não houvesse quem pudesse entender o novo conhecimento adquirido, de que serviria? Seria tal como um pergaminho escrito em uma linguagem desconhecida. Geralmente quem podia acessar esses conhecimentos eram pessoas que já possuíam alguma base para tal.

De tempos remotos para a atualidade podemos dizer que pouca coisa mudou. Hoje o volume de novas tecnologias e inovações geradas  são maiores do que podemos acompanhar. Muitas vezes são pequenas melhorias difíceis de notar. Uma descoberta incrível que sai nos jornais, como a cura para determinada doença, geralmente é formada por pequenas descobertas que vão se juntando como as peças de um quebra cabeças. Muitas pessoas participam desse processo. De muitos países.

E com isso o que acontece? Mais empregos gerados, mais lucros para as empresas, mais impostos para as nações que participam da geração dessas inovações. Quanto mais inovador, mais lucro nas fases iniciais. E para se manter competitivo tem que inovar sempre.

Mas, veja bem. Tem países que entendem isso. Tem outros que permanecem na lanterna. Os que entendem estão continuamente investindo em pesquisa e desenvolvimento. Valorizam a educação em TODOS os níveis. Apostam em empresas inovadoras. Buscam parcerias internacionais com empresas dinâmicas. Assumem risco junto com empreendedores. Facilitam a burocracia. Dão selos para as melhores empresas. Criam e vão buscar tecnologias fora porque tem gente para entender aquela tecnologia.  E quanto mais complexa uma determinada tecnologia, mais capacidades locais são exigidas para que essa tecnologia seja bem sucedida. Por isso a importância em se investir em educação e em atividade científica.  Participar desses fluxos tecnológicos internacionais é um processo que tem custos. Mas também tem MUITO retorno.

Por isso, diferentemente do que se pode imaginar, países que mais buscam tecnologias externas são aqueles mais ricos e com mais investimento em pesquisa e educação.

A busca Chinesa por tecnologias externas

Entre 2011 e 2013, firmas chinesas aumentaram seus investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na Bélgica de €0,6 milhão para €37,2 milhões. Na Áustria, no mesmo período, esse aumento foi de €36 milhões para €86 milhões, enquanto na Alemanha entre 2007 e 2013 o gasto com P&D da China saltou de €8,5 milhões para   €102,4 milhões. Apontando para uma busca chinesa mais intensa de tecnologias em países mais avançados (Iversen  et al., 2017 p. 52).

A China também tem buscado ingressar agressivamente no mercado de tecnologias verdes. Energia solar tem sido um dos pontos buscados pelos chineses. As estratégias chinesas para dominar essa tecnologia tem se assentado não apenas na P&D tradicional, mas também na contratação de mão de obra estrangeira especializada; na inserção de chineses educados no exterior em suas fábricas; e na instalação de filiais no exterior e na instalação de laboratórios de P&D em países desenvolvidos para acessar novas técnicas.

Países têm buscado tecnologias na China

Mas, a China também tem se tornado uma potencia tecnológica. É atualmente o segundo país depois do EUA que mais investe em pesquisa. Em 2017 a os gastos chineses com pesquisa e desenvolvimento representaram 20% do total gasto por todos os países do mundo.

Com isso os países mais desenvolvidos também tem buscado desenvolver tecnologias juntamente com a China. E assim se apropriar dos novos conhecimentos gerados por lá.

  • Em 2012, por exemplo, a GM abriu na China um centro de pesquisa focado em tecnologias verdes empregando 300 pesquisadores chineses. Segundo o diretor do centro, a finalidade do centro era se apropriar do talento dos profissionais chineses ( Ryfisch, 2014). Outras importantes empresas multinacionais também abriram centros de P&D na China como IBM, Microsoft, Motorola, Nokia, Sony, Toshiba, Hitachi, Fujitsu, NEC, Samsung, dentre outras (Motohashi, 2015)

Entre 2005 e 2007 foram abertos na China 50 novos centros de P&D de empresas multinacionais. Enquanto na Índia entre 2000 e 2007 surgiram cerca de 35 a  45 novos centros de P&D de multinacionais por ano (Dachs et al. 2012, p.31).  Segundo dados da Agência Nacional de Estatísticas da China, entre 2012 e 2017 os gastos com P&D de empresas estrangeiras no país tiveram um aumento de 35%, sendo a maioria das pesquisas realizadas na China por meio de empresas do tipo joint venture. Esse formato aponta também para a força das empresas chinesas em desenvolver novas tecnologias em conjunto com empresas estrangeiras (NBEC, 2013; 2018).

Para ilustrar alguns resultados práticos desse tipo de investimento, podemos apontar para o exemplo da empresa americana 3M, que em 2005 construiu um centro de P&D na China (com valor de US$ 40 milhões). Até 2014 tinha este produzido 950 invenções, 110 patentes chinesas e 60 patentes globais empregando 400 pesquisadores chineses (Grimes, Seamus, 2014).

E não apenas o valor investido tem sido ampliado, como também a qualidade das pesquisas realizadas por empresas multinacionais na China tem alcançado patamares superiores. A Roche, por exemplo, mudou a natureza de suas pesquisas realizadas na China  de um foco inicial em desenvolvimento de drogas para projetos altamente inovativos envolvendo companhias chinesas de biotecnologia. (Grimes 2014, p. 195)

Participação em redes internacionais de conhecimento e crescimento econômico

Então quando se fala em desenvolvimento econômico, os governos precisam se atentar para o que se pode chamar de uma esfera internacional do processo de mudança tecnológica. Ou seja, além dos esforços próprios das nações (como investimento em P&D, em educação, parques tecnológicos, etc.) para a compreensão do progresso tecnológico, há que se considerar também a importância de um processo colaborativo que se tem estabelecido entre as nações de forma cada vez mais acelerada.

Diversos são os canais pelos quais essas tecnologias podem fluir entre as fronteiras nacionais. Alguns possuem maior capacidade de observação (ou mensuração). Como aquelas propiciadas por meio de empresas multinacionais, acordos de cooperação tecnológica, licenciamento de tecnologias. outros nem tanto. E por em todos esses canais existem possibilidades de ganhos e aprimoramento econômico.

A multiplicidade de canais de transferência tecnológica é desejável. Pois forma uma rede de colaboração tecnológica entre fronteiras. Quanto mais indivíduos tendo acesso a conhecimento, realizando pesquisa e desenvolvimento (P&D), maior o volume de tecnologias geradas. E com mais atores participando, maiores as possibilidades de aí se gerarem novas tecnologias, num processo multiplicativo.

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O aumento dos fluxos internacionais de tecnologia representa ganho para todos.

Ao longo da história, a humanidade não conseguiu mesmo com todos seus artifícios legais e de segurança impedir que as tecnologias pudessem ser trocadas entre as nações. E ao que parece, mesmo se considerando o movimento de idas e vindas no processo de abertura econômica mundial, pouco se poderá fazer para que as tecnologias não possam fluir entre as nações. O importante como nação é ter capacidade de se apropriar desses ventos, guiando suas velas rumo a um desenvolvimento econômico sustentado e sustentável.  Adaptando as novas tecnologias às suas necessidades com ganhos para toda a sociedade.

Referencias: Santos, Ester Carneiro C. FLUXOS INTERNACIONAIS DE TECNOLOGIA E A DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO: UMA ABORDAGEM EVOLUCIONÁRIA. Tese de doutorado. CEDEPLAR. UFMG, 2014

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